POR UMA IGREJA PROFÉTICA

O Evangelho deste domingo aponta para a temática da profecia. A narrativa que nos é proposta descreve a morte de João Batista, a partir de sua vida e ministério. Na perspectiva do evangelista, João sofre as consequências de sua escolha em viver de acordo com as exigências de Deus a um profeta.

O Batista não se curva ante os poderes do seu tempo. Ousa denunciar o erro, mesmo sabendo que poderia pagar um altíssimo preço, a saber, ser executado. Não está disposto a colocar panos quentes sobre nenhuma situação de desconformidade à Lei de Deus, e por isso denuncia o pecado do rei Herodes em se casar com a sua própria cunhada, Herodias. A partir de então, Herodias deseja a morte de João Batista, o que ocorrerá em um banquete realizado no palácio.

Herodes reconhece a autoridade do Batista. O tinha como homem justo e santo e, por isso o temia e o guardava com segurança. Noutros termos, havia coerência entre o anuncio e a vida de João. O temor do rei Herodes vinha exatamente da autoridade que o Batista possuía. Certamente, uma marca essencial de todo profeta de Deus.

Contudo, diante do pedido da filha de Herodias, o rei cede temeroso em ter sua imagem maculada. Por estar mais preocupado consigo mesmo do que com o que pensava acerca do Batista, manda degolar João e entregar a sua cabeça em uma bandeja a fim de satisfazer a sua enteada, o que nos faz pensar ser mais importante para o poder dominante, o status do que a vida. Ainda hoje é assim.

A narrativa se inicia num banquete, numa festa, e termina no túmulo; claramente para nos apresentar o caminho a ser percorrido pela Igreja de Jesus Cristo. Profética, precisa ter a coragem de denunciar todas as forças que geram opressão, marginalização e morte. É preciso denunciar o sistema que afronta a Lei de Deus, ainda que precisemos pagar com a própria vida. Tal qual no deserto do Batista, necessário será erguer a voz que anuncia vida. Muitos foram os mártires ao longo da história da Igreja que assim o fizeram. Que como Igreja na atualidade possamos também trilhar o caminho da profecia!

Em Cristo, Senhor da Igreja,

Rev. Rodrigo Coelho+

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COOPERADORES

Pode a terra por si só dar os seus frutos? O que pode fazer o homem quanto ao crescimento do Reino de Deus? Qual a resposta de Deus para o imediatismo?

No capítulo 4 de Marcos, Jesus sofrendo sérias ameaças por parte dos religiosos de sua época, mestre sem igual, faz uso de uma técnica por muitos utilizados. Passa a narrar histórias do cotidiano, imaginárias ou verdadeiras com o fim de ensinar uma verdade: as parábolas.

No texto em questão – Mc. 4.26-34 – traz a comparação do Reino de Deus com o cultivo do trigo; mostra que a terra precisa ser arada, semeada para dar seus frutos. Tal qual o plantio, a obra da Graça de Deus necessita de colaboradores, de semeadores.  A terra por si só não produz os frutos necessários para uma vida abundante. Mas a participação do homem nessa obra é tão somente trabalhar a terra e semear. O crescimento é algo sobrenatural, divino. Uma vez semeada, a semente entra em um processo de crescimento que o semeador não entende.

Assim é a vida de quem recebe a palavra de Deus. Pode não se ver, mas o próprio Deus, através do Espírito Santo, dará o crescimento.

No mundo de hoje, em que as pessoas contam com o imediatismo, esperar florescer torna-se um grande exercício de fé. Também não podemos garantir após ter semeado várias sementes, qual delas dará fruto. O crescimento, desenvolvimento da obra de Deus no coração das pessoas é obra sobrenatural, divina. Um fato é certo: Deus espera por cooperadores que como seu Filho dê a vida pelo Reino.

“Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento”.  1Co. 3.6-7

Rev. Marcos Sermoud

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MISERICÓRDIA, GRAÇA E PAZ

“A escuridão não pode expulsar a escuridão, apenas a luz pode fazer isso. O ódio não pode expulsar o ódio, só o amor pode fazer isso.” Martin Luther King Jr.

Enquanto a “guerra” estiver sendo alimentada com inflamados discursos e dedos em riste… enquanto o ódio prevalecer travestido de uma pseudo defesa da “sã doutrina”… enquanto desejarmos “O JUÍZO” sobre os outros no lugar da GRAÇA sobre todos, a perspectiva será a pior possível.

Excessos existem, lá e cá. Os oportunistas de plantão, eleitos em cima desta guerra insana, vibram e deblateram a cada manchete aproveitando-se ao máximo de cada episódio para a autopromoção, incitando seus adeptos a prosseguirem nesta loucura.

Não sei você mas eu não estou aqui para guerra. Almejo ser um profeta do amor e da paz. “Desejo misericórdia…” (Mt 12.7). Que Deus não trate o outro ou a circunstancia da “forma merecida”. Não rogo pelo rigor da lei, ao contrário, estou pedindo que Ele tenha compaixão, e que, em última instância, nos perdoe. É assim que aprendi com o meu Mestre e Senhor. Desejo paz, afinal, “Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus.” Mt 5.9

PS. aos que Dele zombavam com a sua morte, em meio às dores agonizantes, ele disse: “Pai, perdoa-os! Eles não sabem o que fazem!” (Lc 23.34) Existe exemplo maior de compaixão?

Servo de Jesus e de vocês,

Rev. Balnires Júnior

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VOZES… (Mc 3: 20-35)

Quais vozes conduzem a nossa vida? A quem damos ouvido? O que gostamos de ouvir, e por isso, tomamos como verdade a nos guiar? De alguma maneira, o Evangelho deste domingo nos propõe uma reflexão acerca disso.

Na narrativa em questão, Jesus é interpelado por dois grupos: seus parentes, e os líderes religiosos do seu tempo. Ambos os grupos condenam a Jesus e trabalham por impedir a Sua missão. O primeiro grupo trata a Jesus como um louco que precisa ser reconduzido à sua própria casa. Já o segundo, não tão ingênuo, acusa a Jesus Cristo de fazer o que faz, em nome de Belzebu, o príncipe dos demônios. Tomam a voz de Deus como uma voz demoníaca, pois os projetos de Deus em Cristo contrariam os projetos de tais líderes que se aproveitam da religião em benefício próprio.

E aqui temos o clímax da narrativa em questão. O ponto alto em que Jesus afirma que qualquer que “blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão” (Mc 3: 29). Nesse sentido, compreendemos que a blasfêmia contra o Espírito passa por tratarmos a voz de Deus como se demoníaca fosse. Mais que isso, por não reconhecermos a voz de Deus a direcionar os nossos passos. Não sermos capazes de ouvir o Senhor a nos falar e conduzir, pois, na falta da sensibilidade necessária para discernir a voz que vem do Alto, ouvimos tantas outras, inclusive a nossa própria voz. E neste ponto, devemos nos questionar: as vozes que nos orientam nos conduzem aos projetos do Pai? Para onde temos ido a partir das vozes que temos ouvido?

Que não precisemos receber admoestação, tal qual recebeu Pedro, por não cogitar das coisas de Deus, e sim das dos homens (Mt 16: 23)! Que ouçamos a voz de Deus de forma clara e por ela nos guiemos! Para tanto, necessário será nos silenciarmos, orarmos, a fim de eliminarmos os ruídos que nos distanciem dos projetos do Senhor. Que seja assim! Que a voz de Deus seja a voz a nos dirigir sempre!

Rev. Rodrigo Coelho+

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IMPORTA-VOS NASCER DE NOVO

“Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” João 3: 5

Recentemente acompanhamos através dos meios de comunicação, as informações sobre o terremoto no Nepal que vitimou milhares de pessoas. Oito dias após o devastador terremoto, a agência de notícias Reuters dava conta do resgate de três pessoas. “Que sorte!”… “Nasceram de novo!” foram algumas dentre muitas expressões usadas por aqueles que comentaram a notícia.

O Evangelho deste domingo da Trindade, conta-nos a história do encontro entre o Senhor Jesus Cristo e um homem chamado Nicodemos, príncipe e mestre em Israel. Este homem vai ao encontro de Jesus e ouve “que, se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” (v.5)

Mas o que seria “nascer da água e do Espírito”?

Em “Como nascer de novo” o evangelista Billy Graham apresenta o “novo nascimento” como a solução de Deus em Cristo para a transformação espiritual do homem no decorrer dos séculos e testemunho da graça de Deus em sua vida. E de fato é isto, “nascer de novo” é uma transformação eterna e constante; um renovar-se o tempo inteiro; é ver em nós e através de nós a ação de um Deus gracioso que nos ama e nos convida a amar o outro. É ser livre, como o vento que “…sopra onde quer, e ouves o seu som; mas não sabes de onde ele vem nem para onde vai; assim é todo que é nascido do Espírito.

Amplexus et Osculus,

Rev. Balnires Júnior

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JUSTIÇA X JUSTIÇA

downloadJesus conta a seus ouvintes a seguinte historinha: o dono de uma plantação contratou ainda de madrugada alguns homens para a colheita. Com estes, acordou que seria pago uma determinada quantia. Ao longo do dia, sem que houvesse qualquer acerto financeiro, deu emprego a mais quatro grupos de trabalhadores, o último chegando quase no final do expediente. Terminado o dia, o contracheque de todos acusa salários iguais: o mesmo do contrato feito com o primeiro pessoal.

Numa primeira leitura da parábola dos trabalhadores na vinha (Mt 20.1-16) é bem fácil identificar-se com os protestos dos primeiros trabalhadores. “Como assim? Comecei a trabalhar ainda era noite, enfrentei o sol causticante do meio dia, tô pregado de cansaço e esses camaradas que chegaram agora no finalzinho do dia vão receber o mesmo que eu?” Será o patrão injusto por pagar o mesmo aos que chegaram de madrugada e aos que chegaram ao longo do dia, inclusive aqueles que começaram a trabalhar somente às 17 horas?

Aprendemos nos livros e através de nossa experiência histórica, que um dos grandes combustíveis para levantes e revoluções é o latente senso de injustiça. E é bom que seja assim. Protestamos, contra Estado e governo, contra empresas e instituições, contra partidos e sindicatos, contra escolas e universidades, contra pais e mães. Mas devemos discernir bem nossas causas e protestos, para não fazermo-nos de vítimas em situações que somos também responsáveis.

Exemplo disso é aquele que, sem implicar-se na própria biografia e assumir o seu protagonismo,  responsabiliza os pais, a falta de educação, a falta de oportunidades. Faz lembrar o poeta: “Você me diz que seus pais não entendem, mas você não entende seus pais. Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo”.

Nesta parábola Jesus ensina que, de nossa parte, importa atender ao chamado para o serviço e trabalhar. Ensina também que Deus tem em perspectiva antes de nossas realizações ou fracassos, a sua própria graça em face de nossas necessidades. Ele nos dá o que é justo, ou seja, o que precisamos. Deus não é injusto, mas sua justiça é diferente da justiça humana, impetrada por causa e efeito, por retribuição e merecimento. Em perspectiva humana, seria “a injustiça” que a Graça põe em prática. A justiça de Deus é aquela que nos reconhece como somos: melhores que ninguém, tampouco piores. Somos iguais.

Rev. Marcio Anhelli

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VERBO DIFÍCIL

Impregnados pela lógica da retribuição, somos desafiados a compreender valores do Reino de Deus bem distintos dos valores que norteiam a vida na atualidade. O mundo nos ensina, impiedosamente, ser necessário pagar por aquilo que praticamos. Nesse sentido, o que notamos é que a lógica do perdão não constitui uma marca em nossa sociedade. Não somos ensinados a perdoar ao longo da nossa existência. No lugar do cultivo do perdão, o que há é o estímulo à vingança, ao revanchismo. Essas são marcas do nosso tempo. Comumente, ouvimos: “aqui se faz, aqui se paga”.

No que tange ao Reino de Deus não é assim que a vida se organiza. Em Mateus, cap. 18, verso 21, vemos Pedro arguindo a Jesus da seguinte forma: “Senhor, quantas vezes devo perdoar ao irmão que pecar contra mim? Até sete vezes?” Vejamos que interessante! Segundo a Lei, a exigência era de que o sujeito perdoasse ao seu irmão até três vezes. Pedro aqui parece demonstrar uma boa disponibilidade no que se refere à prática do perdão ao propor o numeral sete; uma espécie de plenitude do perdão, tendo em vista o numeral sete denotar na cultura judaica a ideia de completude, de perfeição. Contudo, ainda que houvesse uma certa disposição petrina para perdoar, há por parte do humano certa limitação para a prática do perdão. Sete vezes seria o máximo.

E é nesse contexto que ouvimos a resposta de Jesus Cristo: “Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete.” (v. 22) Pelo Cristo somos surpreendidos! Ao responder com a sentença “setenta vezes sete”, vimos simbolizado aquilo que não há mais a possibilidade de calcular ou mensurar. O perdão não obedece à lógicas matemáticas. Deus nos convida a uma constante disposição de perdoar. Assim, o que aprendemos é que para um cristão não poderá jamais haver limites para a prática do perdão. Cálculos, não devemos, nem nos cabe fazer. Perdoar sempre, deve ser o nosso alvo. Por mais difícil que seja praticar esse verbo, o Senhor deseja que estamos sempre prontos para perdoar.

Que assim Deus nos ajude!

Rev. Rodrigo Coelho+

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